sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Mas de onde veio isso?

Eu era adolescente quando um amigo perguntou-me, o que era ser cristão, depois de muitos anos de estudos na saudosa EBD (Escola Bíblica Dominical), me senti apto a responder, e falei a ele sobre toda a história da salvação, das implicações espirituais e assim por diante, mas fui surpreendido, ele insistiu e perguntou: _ Na prática, o que é ser cristão? Em que eu preciso mudar? No nosso mundo de adolescente, a mudança seria a seguinte: Você não pode mais beber, não pode mais ir a festas, não pode fumar, não pode “ficar” (namoro sem compromisso) com as meninas, não pode ter relações sexuais antes do casamento, não pode mais falar palavrão, não pode andar em bar, não pode mais curtir o micareta, carnaval nem pensar, não pode participar das festas juninas, precisa vir para a igreja ao menos uma vez por semana. Quando pensei nessa resposta desisti na hora, aí só falei o seguinte: Você terá novos amigos, vai ser legal.
Daí em diante não parei de pensar sobre aquela pergunta, e percebi que, para mim e para muitos, ser cristão é quase que somente seguir um monte de regras morais, sobre usos e costumes.
Infelizmente isso não é apenas uma constatação de um adolescente, infelizmente ser cristão hoje é quase que apenas isso mesmo: Mas de onde veio isso?

Uma das pessoas que mais contribuiu para chegarmos até esse ponto foi um camarada chamado Agostinho de Hipona, mas conhecido como Santo Agostinho, que foi o grande teólogo da igreja Cristã na Idade Média. A grande façanha de Agostinho foi interpretar o texto bíblico e o cristianismo usando a filosofia grega, principalmente o platonismo.
Platão acreditava que tudo que estava no mundo material era imperfeito e decadente, a perfeição residia no mundo das idéias (perguntem ao tio Google sobre o mito da caverna que fica mais claro). Agostinho repetiu essas idéias de Platão adaptando-as as categorias cristãs, chamou o mundo material e das impressões de mundo carnal, e o mundo das idéias de mundo espiritual.
Ainda com esta compreensão, Agostinho pega aquele texto de Paulo que fala da oposição entre Espírito e carne (Gálatas 5:17...) e interpreta-o a partir da compreensão grega, da dualidade EspíritoxCorpo, espírito como sendo uma realidade a-material, e corpo a matéria imperfeita e decadente. O problema é que Paulo não está dizendo nada disso. Espírito para Paulo é princípio de vida, é aquilo que gera vida é vida. Para Paulo o homem espiritual é aquele que está inclinado para a vida, e a carne não tem nada haver com corpo, carne em Paulo é o oposto ao Espírito, é a inclinação para a morte.

Com esta compreensão equivocada a teologia de Agostinho nega todas as manifestações do corpo, chamando-as de inferiores, decadentes e fruto e geradoras de pecado, por isso qualquer tipo de prazer gerado por este corpo é pecado na teologia Agostiniana. Sexo é pecado, beber é pecado, é a negação total do prazer.
Vou parando por aqui para o post não ficar grande, mas essa é uma longa conversa... Voltaremos a ela nos próximos dias.

2 comentários:

Ana Paula Duarte disse...

Você deixou seus leitores com gostinho de quero mais!
Vai nos oferecer doutrina em doses homeopáticas, é?
Rrsrs...
Tudo o que vc tem escrevido aqui só serve para enfatizar aquilo que eu sempre pensei enquanto vivia alienada sentada num banco "reproduzindo uma crença- quase lenda"...Mas, ter o conhecimento de Deus, mais de Deus vai além disso!
Ser cristão é muito loucoo!
Beijos e incentivos, aah e escreva logoo!!

Gal disse...

Muito boa sua aula!
Continue!