sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Jesus: O Deus que caminha entre os excluídos e marginalizados

Comentário Biblico de Apocalipse 2.1



Por Marcos Fellipe

Ao anjo da igreja em Éfeso escreva: "Estas são as palavras daquele que tem as sete estrelas em sua mão direita e anda entre os sete candelabros de ouro.

O pai preocupado em poupar sua filhinha de apenas 4 anos, aperta a mão sobre seus pequenos e assustados olhos, machucando-os. A menininha começa a chorar quando de repente a fera, uma grande leoa faminta ataca seu pai que ainda tentando protegê-la lança-a para longe. A pancada machuca-a segundos antes de ser devorada. Os romanos das arquibancadas se divertem com o espetáculo.

Ela tinha 17 anos, vivia cabisbaixa e triste com as zombarias dos vizinhos que a acusava de ser cristã. Por se reunirem em catacumbas, e lá celebrarem a ceia, os boatos corriam que cristãos eram comedores de carne e sangue de cadáveres. Todos seus amigos se afastaram, vivia só, à margem, excluída e fugida.

Ele não concordava com a atitude de seu melhor amigo e companheiro de lutas, que mesmo cristão prostrava-se diante do imperador. Naquele dia, por causa de sua reprovação, seu amigo recusou-se a prostrar-se e lá estava amarrado num grande madeiro, um dos muitos que rodeavam a cidade. Após alguns minutos ele iria olhar pela última vez nos olhos do seu amigo, que iria ser juntamente com outra centena de cristãos queimado para iluminar a festa do Imperador Nero.

É este o cenário comum dos cristãos do primeiro e segundo século. Viver era uma experiência dolorosa, angustiante. A morte e a escuridão por todos os lados. O Cristo que em breve viria os resgatar e estabelecer de uma vez por todas o reino de Deus não chegara.

A mensagem do Apocalipse vem para estes cristãos. Chega para trazer esperança onde ela há muito se despedira. Chega para ser resposta a perguntas feitas com dor e sangue: Onde está Jesus, que não nos livra desta aflição? Quando Deus irá transformar essa insuportável realidade?

A resposta é tão forte quanto a pergunta, é surpreendente, e desafia-nos até hoje. Jesus se apresenta como aquele que caminha entre os sete candeeiros de ouro, sendo que estes representam as igrejas de Cristo espalhadas pelo Império.
O texto trata as igrejas como os candeeiros, os candelabros. A igreja, os cristãos, os marginalizados e excluídos, os torturados, os que estão sendo mortos e exterminados, os aflitos, angustiados e desesperançosos, são aqueles que podem e que trarão luz à realidade.

Os candeeiros não são como as lanternas que podem direcionar o foco da luz, o candeeiro para que todos usufruam de sua luz deve ser colocado no centro do povo e não a frente, enquanto ilumina o caminho o candeeiro também ilumina tudo que está a sua volta. Ser luz não é estar a frente do povo com a verdade na mão e esperando que o povo nos siga como rebanhos. Ser luz aqui é iluminar os caminhos, que se constroem na caminhada.

Luz que Ilumina inclusive a presença de Jesus que caminha com o povo, que está no meio da sua igreja entre os marginalizados e excluídos, os rotulados como diferentes, os que não se renderam ou se venderam ao sistema. Jesus não está distante, ele está entre o povo que sofre. Ele não se afastou dos seus, ele caminha conosco. Jesus estava na arena junto com a família que foi atacada pelos leões, está com a adolescente que não tem mais amigos, por ser cristã, estava até quando Nero usou os cristãos como tochas para iluminar Roma.

Por conta da imagem de um Jesus todo poderoso criada pela igreja triunfalista em moda ultimamente, fica difícil responder perguntas como a feita por exemplo tempos atrás diante do desastre do Haiti. Infelizmente cristãos foram capazes de afirmar que o desastre era fruto do pecado haitiano, de posse dos texto bíblico, podemos afirmar que Jesus o Cristo estava lá, em meio aos escombros.

Basta conseguirmos perceber o diferente em nosso meio, perceber o rosto do excluído do marginalizado, dos aflitos, dos que sofrem entre nós, quando os percebermos estaremos próximos de perceber a presença de Jesus em nosso meio. Quando trouxermos luz a esta infeliz realidade da qual participamos e somos sustentadores, estaremos próximos dos passos de Jesus, estaremos caminhando com Ele, na consumação, no estabelecimento do seu Reino entre nós. 


Sobre as sete estrelas, aí só uma outra conversa...

4 comentários:

Anísia Neta disse...

Gostei muito da imagem que vc fez da luz.

Luz aqui não é como uma lanterna que guia, que faz o caminho e mostra o lugar...

A luz é como um foco de luz no meio, entre as pessoas, que não ilumina tudo, mas que mostra as formas, as cores, que ilumina o necessário para o momento, que anuncia a verdade que se precisa naquele instante, que ilumina enquanto caminha, e não mostra o caminho sem precisar caminhar...

Jesus é essa luz que está conosco no mesmo barco, e não no navio nos mostrando a terra firme...

Muito bom Marquinhos!! Gostei muito da reflexão, e no dia que vc nos guiou na Comunidade com esse texto tb foi momento inspirativo na minha caminhada com Cristo.

Messias Brito disse...

A mensagem do Apocalipse, como vc apresenta aqui, mantém a sua força para revigorar as nossas esperanças de um novo céu e uma nova terra.
Resignação e força ante a dor e o sofrimento, pois que em meio a um cenário que mina as nossas forças, podemos nos sentir fortalecidos pela presença do Cristo que venceu a cruz romana e o sistema religioso opressor dos judeus.
Aleluia porque o texto bíblico, a despeito de tantos maus intérpretes, ainda fala e muito às nossas vidas!

Léo disse...

Infelizmente os desafios de seguir essas pegadas deixadas por Jesus não é o alvo da "igreja" atual, com isso a beleza do caminhar com Deus perdeu seu sabor e vitalidade. Fico a pensar por onde Jesus estaria caminhando hoje e quantos teria tempo e sensibilidade para percebê-lo, o q me vêm é que na verdade ele tem caminhado imperceptivelmente. Show Marquinhos!!!

José María Souza Costa disse...

Belo texto. Estou lhe convidando a visitar o meu blogue e se possivel seguirmos juntos por eles. Estarei grato esperando por voce lá
Abraços de verdade